O Rock in Rio teve impacto para os restaurantes da cidade? A nbkPULSE foi atrás da resposta

Por dez dias, o Rock in Rio lota a cidade de gente, imprensa e expectativa. E toda edição vem acompanhada da mesma frase, repetida como verdade absoluta: “o festival aquece o comércio local”. Mas aquece como, exatamente? E aquece por quê?

A nbkPULSE, plataforma de inteligência de dados do Grupo Nebraska, decidiu não aceitar a resposta pronta. Acompanhando 51 restaurantes desde junho, a ferramenta cruzou 107 métricas por casa, por dia visitas ao perfil, cliques em “como chegar”, salvamentos, menções em story e comparou os dez dias de festival com o mesmo período em junho, julho e agosto. Cada dia foi medido contra a média do mesmo dia da semana nos meses anteriores, isolando o efeito do Rock in Rio do efeito natural de um fim de semana.

O resultado confirma que a pergunta do título teve impacto, mas derruba a explicação mais repetida sobre ele.

O pulso dos dez dias

Olhando dia a dia, um padrão salta aos olhos. Nos dias 4, 5, 6 e 7 de setembro todos com show, o movimento nos perfis dos restaurantes ficou entre 17 e 19 pontos acima da rotina normal da casa. Já nos dias 8, 9 e 10, quando o palco ficou parado, o movimento caiu: -8, -7 e -16. O dia 10 foi o pior de toda a janela analisada, mesmo com a cidade seguindo cheia de turistas e hotéis lotados.

Quando o show voltou, nos dias 11, 12 e 13, o movimento também voltou a subir.

Essa comparação é o centro do estudo, porque os três dias sem show funcionam como um grupo de controle dentro do próprio festival: a cidade continuou cheia, mas sem espetáculo. E o que sobra, nesses dias, é pouco.

A conta do turista não fecha

A explicação mais comum é que o Rock in Rio traz visitantes de fora, e esses visitantes vão comer nos restaurantes da cidade. Se isso acontecesse em escala relevante, o público dos perfis analisados deveria ter mudado de composição durante o festival.

Não mudou. A nbkPULSE mediu o crescimento de seguidores de fora do Brasil nos dez dias de setembro contra o mesmo período em junho, julho e agosto e setembro foi, dos quatro meses, o que menos atraiu público internacional: apenas 300 novos seguidores estrangeiros, somando os 51 restaurantes, numa base de 2,49 milhões de seguidores. A fatia de público que já morava na cidade do Rio praticamente não se mexeu entre agosto e setembro. Bairros turísticos como Copacabana, Ipanema, Leblon, Barra e Urca também não se destacaram do restante da base. Se o turista fosse o motor do resultado, seria ali que o efeito apareceria primeiro.

O ganho, portanto, não é geográfico. É temporal: ele existe nos dias em que tem show, e desaparece nos dias em que não tem.

Por que o número geral engana

Olhando só para a soma da base, setembro fecha com quase 20% mais visualizações orgânicas do que a média dos três meses anteriores. É um número verdadeiro e também enganoso. A maior parte desse crescimento está concentrada em pouquíssimas contas, o que só é possível porque boa parte do restante da base encolheu no período: mais da metade dos 51 restaurantes fechou os dez dias abaixo da própria média histórica.

É um lembrete importante para quem lê métricas de campanha: a média da base pode esconder tanto crescimento quanto queda, e só o dado desagregado, dia a dia e restaurante a restaurante, revela o que está de fato acontecendo.

Vale registrar o caso mais forte dentro dessa curva: a Cumbuca, restaurante do Grupo Nebraska, operou dentro do Gourmet Square, na estrutura oficial do festival, e teve um engajamento diferenciado ao longo dos dez dias. Diferente da maioria da base, o resultado do Cumbuca não veio do transbordo natural da cidade cheia, veio da participação direta no evento. É esse tipo de resultado, concentrado em poucos casos, que explica boa parte do crescimento que puxa a média geral para cima. 

O que este estudo não mede e o que vem a seguir

A nbkPULSE também é transparente sobre os limites da análise: os números medem comportamento digital, não caixa nada aqui indica venda, ticket médio ou ocupação de mesa diretamente. A geografia do público é um indício contra a tese do turista, não uma prova definitiva. E três dias sem show, dentro de uma janela de dez, é uma amostra pequena para um corte tão decisivo. O próximo passo natural é cruzar essa mesma janela com dados de venda no ponto de venda, pedidos de delivery ou reservas confirmadas.

O que o dado revela, no fim das contas

O Rock In Rio ajuda a categoria, os dados parecem indicar que sim. O que surpreende, e pode ser muito bom, é que, aparentemente, não são os turistas que puxam o movimento. O que significa que o público estável da cidade é que por estímulos diversos amplia busca e consumo.

É esse tipo de leitura que separa a hipótese repetida do que os números realmente mostram que a nbkPULSE existe para entregar.


A nbkPULSE é a plataforma de inteligência de dados do Grupo Nebraska: decisão por dados, não por intuição. Esta análise acompanhou 51 restaurantes e 107 métricas por casa, por dia, para entender o que realmente move o movimento de um restaurante durante o Rock in Rio.